Organização pede que Fifa impeça Infantino de disputar novo mandato na presidência

A organização de direitos humanos FairSquare pediu que a Fifa considere Gianni Infantino inelegível para disputar mais um mandato à frente da entidade. O grupo sustenta que o dirigente já atingiu o limite de três mandatos previsto no estatuto da federação e questiona a decisão que retirou da contagem o primeiro período do suíço na presidência.

Infantino assumiu o comando da Fifa em fevereiro de 2016, após ser eleito em um Congresso Extraordinário convocado depois da renúncia de Sepp Blatter. Posteriormente, a entidade considerou que aquele período correspondia apenas à conclusão de um mandato que já estava em andamento e, por isso, não deveria ser contabilizado entre os três permitidos.

A interpretação, adotada em 2022, é contestada pela FairSquare. Em carta encaminhada ao Comitê de Governança, Auditoria e Conformidade (GACC) da Fifa e divulgada pelo The Athletic, a organização argumenta que a decisão contraria as próprias normas da entidade.

“A denúncia que apresentamos fornece evidências claras de que isso representa uma violação das regras e estabelece um precedente muito perigoso”, afirmou Nicholas McGeehan, diretor da FairSquare, à Reuters.

Segundo McGeehan, a limitação do número de mandatos funciona como um instrumento para evitar a concentração excessiva de poder nas mãos de um mesmo dirigente.

“As regras estabelecem claramente que três mandatos presidenciais é o máximo permitido. A FIFA não pode simplesmente contornar essa regra — que funciona como um mecanismo de controle do poder presidencial — dizendo que o primeiro mandato não conta”, acrescentou.

Pressão aumenta antes da eleição de 2027

O questionamento ocorre em meio ao aumento da pressão sobre Infantino antes do próximo Congresso da Fifa. A expectativa é que o dirigente tente disputar a reeleição para o ciclo de 2027 a 2031. A votação está prevista para 18 de março de 2027, no Marrocos.

Na última semana, a Uefa, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a Concacaf também pediram uma revisão da conduta do presidente da Fifa. A manifestação ocorreu depois que a entidade apresentou um projeto para criar uma subsidiária de US$ 20 bilhões vinculada às suas competições, incluindo a Copa do Mundo, com o objetivo de atrair investimentos privados.

Fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que as três confederações consideraram a carta apresentada pela FairSquare uma possível oportunidade para que Infantino deixe o cargo de maneira honrosa.

A pressão também chegou às federações nacionais. O presidente-executivo da Federação Escocesa de Futebol, Ian Maxwell, afirmou à BBC que a entidade não apoiará uma nova candidatura de Infantino à presidência da Fifa.

FairSquare questiona falta de transparência

Além da interpretação sobre o limite de mandatos, a FairSquare questiona a transparência do processo que permitiu a Infantino desconsiderar o período iniciado em 2016. Segundo a organização, os fundamentos utilizados para a decisão tomada em 2022 nunca foram divulgados publicamente.

Nicholas McGeehan também chamou a atenção para o momento em que a medida foi anunciada, apenas dois dias antes da final da Copa do Mundo do Catar.

“O fato de não terem apresentado nenhuma justificativa para sustentar essa afirmação e de terem anunciado a suposta decisão dois dias antes da final da Copa do Mundo de 2022 sugere que eles sabiam muito bem que não havia base para desconsiderar o primeiro mandato de Infantino”, disse.

A carta encaminhada ao Comitê de Governança, Auditoria e Conformidade contou ainda com a colaboração de Miguel Maduro, ex-presidente do Comitê Independente de Governança e Revisão da Fifa. Para ele, o limite de mandatos foi um dos pontos centrais das reformas realizadas pela entidade em 2016.

“O princípio dos limites de mandato foi um aspecto fundamental da reforma de 2016 destinada a limitar o poder, e a regra introduzida é clara: nenhum presidente da FIFA pode exercer mais de três mandatos”, afirmou Maduro.

Na avaliação do ex-dirigente, a criação de uma exceção para Infantino representaria resistência ao próprio princípio de limitação de mandatos e indicaria uma interpretação das normas como obstáculos que podem ser contornados, em vez de regras que devem ser cumpridas.

Foto: Elizabeth Ruiz Ruiz – FIFA/FIFA via Getty Images.

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