O mercado financeiro teve um dia de recuperação nesta segunda-feira (16). O dólar registrou queda expressiva e encerrou o pregão próximo de R$ 5,20, acompanhando o movimento de desvalorização da moeda norte-americana no cenário internacional.
O dólar comercial fechou vendido a R$ 5,229, com recuo de R$ 0,085 (-1,60%). Durante a manhã, a cotação chegou a se aproximar de R$ 5,28, mas passou a cair ao longo da tarde, encerrando o dia próximo da mínima registrada na sessão.
Apesar da queda nesta segunda-feira, a moeda norte-americana ainda acumula alta de 1,87% em março. No acumulado de 2026, no entanto, o dólar apresenta queda de 4,72% frente ao real.
A desvalorização ocorreu após dois dias consecutivos de forte alta, quando o dólar superou R$ 5,30 e atingiu o maior nível de fechamento desde janeiro.
A redução da aversão ao risco no mercado internacional, impulsionada pela queda nas cotações do petróleo, favoreceu moedas de países emergentes e contribuiu para que o real registrasse um dos melhores desempenhos entre essas divisas.
Bolsa reage
No mercado de ações, o principal índice da B3 também apresentou recuperação. O Ibovespa avançou 1,25%, encerrando o pregão aos 179.875 pontos, após chegar a ultrapassar momentaneamente a marca de 181 mil pontos durante a sessão.
O desempenho positivo ocorreu após duas quedas consecutivas e refletiu a melhora no ambiente externo, além da redução da tensão nos mercados financeiros após dias de volatilidade ligados ao conflito no Oriente Médio.
Petróleo recua
Um dos fatores que influenciaram o melhor humor do mercado foi a queda nos preços do petróleo. A commodity recuou diante da expectativa de retomada gradual do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, passagem por onde circula cerca de 20% da oferta mundial de petróleo.
O contrato do petróleo Brent, referência nas negociações internacionais, com vencimento para maio, caiu 2,84%. Mesmo assim, o barril permanece acima de US$ 100 e acumula valorização de 40% no mês.
Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também contribuíram para reduzir as tensões geopolíticas. Ele afirmou que o acesso ao estreito pode ser restabelecido em breve e indicou que há interlocutores no Irã dispostos a dialogar.
Com a possibilidade de reabertura gradual da rota marítima, investidores passaram a desmontar posições defensivas que haviam sido adotadas diante do receio de escalada do conflito na região.
Fatores internos
No cenário doméstico, analistas também destacaram como fator positivo as intervenções do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos. O órgão realizou duas operações de recompra de papéis, aumentando a liquidez e reduzindo tensões na curva de juros.
A medida contribuiu para a queda nas taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), que registraram recuos superiores a 30 pontos-base (0,3 ponto percentual) em alguns vencimentos.
Expectativa do Copom
Os investidores também ajustam suas posições antes da reunião do Comitê de Política Monetária, marcada para quarta-feira (18).
A expectativa predominante no mercado é de um corte mais moderado na taxa Selic, possivelmente de 0,25 ponto percentual, o que reduziria os juros de 15% para 14,75% ao ano.
Alguns analistas, no entanto, já consideram a possibilidade de manutenção da taxa diante das pressões inflacionárias associadas à recente alta do petróleo.
Mesmo com eventual redução, o diferencial de juros do Brasil deve permanecer elevado, fator que tende a manter o real atrativo para investidores estrangeiros.
*Com informações da Agência Brasil.