O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que nunca se considerou esquerdista durante uma conversa informal com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, durante a reunião do G7, realizada na França. O diálogo foi captado pela transmissão oficial do evento e repercutiu após a divulgação do áudio.
Na conversa, Lula explicou que sua trajetória política teve origem no movimento sindical e destacou a forte relação que manteve com sindicatos da Alemanha, da Itália e da Espanha. Ao comentar o cenário político internacional, o presidente afirmou que o mundo não é predominantemente de esquerda, mas de centro. Após ser lembrado por Kristalina Georgieva de que havia uma expectativa de que fosse um líder esquerdista quando assumiu a Presidência pela primeira vez, Lula respondeu que sempre foi um dirigente sindical. O presidente também recordou um episódio ocorrido nos anos 1980, quando foi impedido de participar de um congresso na Rússia por conta de uma condenação baseada na Lei de Segurança Nacional, relatando que, após buscar apoio em países europeus, passou a ser tratado como anticomunista.
Ainda durante o encontro, Lula voltou a defender o sistema eleitoral brasileiro e destacou a confiabilidade das urnas eletrônicas auditáveis, afirmando que o modelo poderia servir de exemplo para outros países. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou ter conversado com Lula durante a cúpula e classificou o Brasil como um país politicamente complicado. Sem detalhar o conteúdo da conversa, Trump criticou o cenário político brasileiro e chegou a confundir os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro ao comentar uma suposta prisão de “Bolsonaro Jr.”. Em resposta, Lula afirmou que Trump precisa conhecer melhor o Brasil e declarou que pretende apresentar o funcionamento das urnas eletrônicas ao líder norte-americano em um próximo encontro. O presidente brasileiro também ressaltou que, neste momento, não vê necessidade de uma reunião bilateral com Trump, já que os dois países mantêm negociações em andamento.
*Com informações do g1.